Não é só de vinho que vive a Itália. A grappa (aportuguesado para “graspa”), por exemplo, é a aguardente fabricada na bota, feita com a destilação do bagaço da uva. É uma bebida muito apreciada no mundo inteiro e a origem deste destilado se perde nos séculos medievais.
Diz a lenda que um ignoto legionário romano do século I a.C. teria aprendido a técnica de destilação no Egito, levando-a para a região de Friuli. A primeira documentação da destilação da uva, porém, é do ano 511 d.C. Contudo a produção para o consumo da aguardente foi concebida somente no ano mil pela Scuola Salernitana, que codificou as regras da concentração alcoólica na distilação e prescreveu o emprego para diversas patologias humanas, como remédio, garantindo ao destilado um sucesso que se verifica até no nome: em italiano a aguardente é chamada de acquavite que vem do latim aqua vitae, ou seja, água da vida.
Até o início do século XIX não existia uma distinção tecnológica clara entre os diversos destilados alcoólicos, mas a Itália decidiu seguir uma estrada própria, o que levou à criação de uma bebida com características únicas. O envelhecimento em barris é opcional, sendo que os barris variam a cor e o sabor da bebida conforme o tipo de madeira e, assim como o uísque, quanto mais tempo de maturação, mais fina e cara torna-se a bebida. A palavra grappa deriva provavelmente do piemontês “rapa” ou do lombardo “grapa“, termos que se referem ao bagaço da uva. Na Itália a produção de grappa chega a 33 milhões de garrafas por ano.
O vinho italiano é já bastante famoso pra ficarmos por aqui gastando mais adjetivos com elogios. Mas a pergunta desta vez não é qual o melhor vinho italiano, até porque isto depende muito mais de opiniões subjetivas que de afirmações categóricas. Trazemos para vocês algo mais - ou no caso, menos - palpável: o vinho italiano mais caro.
Chama-se Masseto di Tenute dell’Ornellaia e é um vinho de cor rubi intensa e vivaz, com odores de frutas silvestres e sabor robusto. O Masseto é um vinho relativamente novo: foi produzido pela primeira vez nos anos 80 e conquistou logo o grande público, tornando-se um dos mais procurados no mundo.
Trata-se do Merlot italiano mais importante, produzido em Bolgheri, uma fração da cidade de Castagneto Carducci, pela Tenuta dell’Ornellaia em uma propriedade com apenas 210 hectares, onde são selecionadas somente as melhores uvas para produzir este vinho, amadurecido em barris de carvalho franceses. O preço da brincadeira? 3.400 euros por uma garrafa da safra 2000. Uma pechincha…

Se você estiver passeando por Roma, ali perto do Pantheon e da Piazza di Pietra, tem que dar uma passadinha na loja Ceramica Raku. O nome da loja vem da técnica para a fabricação da cerâmica, que em seguida é usada para produzir os relógios ali expostos.
“Produzimos tudo manualmente, com artesãos exclusivamente italianos - explicam os donos - com excessão do mecanismo dos relógios que é alemão”. A atividade da família Montesi começou em 1985 e hoje pode-se vangloriar de ter uma clientela internacional. Na própria loja é exibido um vídeo que mostra aos curiosos toda a técnica manual de fabricação da cerâmica e todas as etapas até a montagem do produto final.
A característica particular da cerâmica Raku é a iridescência (conseguida graças à queima especial à qual a cerâmica é submetida) e o brilho, como podemos ver muito bem na galeria abaixo. Com variadas descorações, desde os principais monumentos de Roma até frase em latim ou dedicadas ao amor, os preços vão de 25 a 130 euros.
Ceramica Raku
Via dei Pastini 20
www.raku.it
Foto | Sara Regimenti
Atrás da Torre Argentina, em Roma, encontra-se a associação cultural feminina Leartigiane.it , que em outubro de 2010 inaugurou este belo espaço com dois andares repletos de objetos, jóias e roupas feitas à mão, além de acessórios e quadros.
O “tema” muda semanalmente, por exemplo semana passada as peças tratavam quase que exclusivamente dos animais domésticos. A ideia de colocar o nome de um site na loja também não é casual, visto que os internautas podem comprar também online. Bruna Pietropaoli, representante do projeto, explica um pouco mais:
“O trabalho artesanal atrai a paixão de muitas mulheres jovens. Analisando a qualidade do trabalho e das matérias-primas utilizadas, decidimos se aceitamos ou não os novos projetos. Uma tendência que damos bastante importância é aquela dos produtos “ecológicos”, por exemplo com o uso de materiais recicláveis. ”
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Você já ouviu a história do Rei Artur, que tornou-se rei após retirar a espada Excalibur de uma rocha? Pois muitos garantem que esta história, que se passa na Inglaterra, foi inspirada pela história original de São Galgano, cavaleiro italiano, cuja espada pode ser vista ainda hoje, cravada em uma pedra. O local chama-se Abadia de São Galgano, e fica a poucos quilômetros de Siena.
Galgano Guidotti, filho de Guido e Dionisa, nasceu em 1148 em Chiusdino (Siena), um pequeno burgo não muito longe do local da Abadia, em uma época da Idade Média repleta de violência. E Galgano também, como outros cavaleiros, era prepotente e cheio de si pela juventude despretensiosa e frívola que vivia.
Com o passar do tempo, Galgano começou a perceber a inutilidade do seu estilo de vida, e ficou atormentado por não ter nenhum objetivo para a sua. Foi nesse estado de ânimo que decidiu mudar, retirando-se na colina de Montesiepi. Galgano abandonou o seu mundo, infeliz pelo que cometeu e por aquilo que via diariamente, para dedicar-se a uma vida de eremita e penitência, em busca daquela paz que àquele tempo não era consentida.
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Uma das coisas que mais me chamou a atenção na Itália quando falamos em comida é que, além do hábito de comer massa todo o dia, você encontra nos supermercados e nos restaurantes cortes e pratos de carne de cavalo. A Itália é um país onde o consumo de carne equina é bastante elevado: cada habitante consome cerca de 1,3 kg/ano enquanto a média da União Europeia é de 0,4 kg/ano. Em certas regiões da bota como na Puglia o consumo da carne equina chega a 32,2% do consumo nacional. Em seguida vêm Lombardia (14,3%), Piemonte (10,8%), Emilia Romagna (9,2%), Vêneto (7,6%) e Lazio (5,5%).
Porém a produção equina nacional não é suficiente para cobrir a demanada interna e grande parte vem do leste europeu. Os corte da carne equina são bastante símiles ao corte bovino, e têm os mesmos nomes dados na Itália. Os valores nutricionais da carne de cavalo são ricos em proteínas como qualquer outra carne, mas com duas particularidades que a tornam única: um elevado conteúdo de ferro (3,9mg/100g), quase o dobro no confronto com outras carnes. Além disso possui baixa quantidade de gordura, pouco colesterol e pouca caloria. Graças a isso, é digerível mais facilmente.
A carne equina pode ser comida por qualquer pessoa, mas é altamente indicada para pessoas que sofrem de anemia, quem está de dieta, colesterol alto, e é uma boa alternativa para as crianças. Além disso, é uma das poucas carnes que possui açúcar (em particular o glicogênio, uma reserva energética para os músculos) é por isso levemente doce seu sabor.
O quarto mês do antigo Calendário Romano é o mais amoroso de todos. O nome Abril já diz muita coisa: etimologicamente é uma mistura do verbo aperire (em latim, abrir) para indicar a chegada da primavera, que abre o renascimento da natureza e do grego Aphros, que é o nome da deusa Afrodite, a deusa do amor grego (equivalente a Vênus para os romanos).
No dia primeiro de abril, enquanto nós ficamos mentindo e pregando peças, os romanos tinham Venus Verticordia e Fortuna Virilis, uma festividade dupla dedicada a Vênus e seu companheiro Fortuna Viril.
De 4 a 10, comemorava-se a Magna Mater (Grande Mãe), em honra de Cibele, deusa da natureza, dos animais e dos locais selvagens. Logo em seguida, de 12 a 19, era a vez de Ceres, deusa dos campos, e da fertilidade.

A Fontana di Trevi é uma das maiores atrações turísticas da Itália e por causa disto está sempre na mira de vândalos, ladrões, publicitários, anárquicos em geral. Agora até os falsos moralistas chegaram ali.
Recentemente foi criada uma lei na qual ia para trás das grades o engraçadinho que roubasse as moedas do fundo da fonte. O chefe da polícia municipal criticou ironicamente dizendo: “Finalmente terá um fim a questão sobre a propriedade das moedas”.
Operadores turísticos e comerciantes protestaram, temendo um desprestígio ao redor da fonte com a presença constante da polícia efetuando prisões em meio ao público. No final, foi tomada uma decisão drástica:
“Proibido o lançamento de moedas”. Isto serviria também para evitar o risco de danificar o monumento e diminuir os gastos com manutenção. Obviamente a resolução vai dar o que falar em todo o mundo. Porém o projeto prevê a substituição das moedas por fichas especiais, que poderão ser compradas como nos cassinos e, em seguida, irão dissolver-se n’água, sem nenhum tipo de contaminação. Os detalhes ainda não foram divulgados, mas foi criado um site de promoção e conscientização internacional da iniciativa, que conta até com um slogan: “No More Coins, Much More Desires” (Menos moedas, muito mais desejos).
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O Monte Amiata é uma área da Toscana muito pouco valorizada. Dos diversos vilarejos ao redor, encontramos algo de interessante somente em Seggiano e Santa Fiora. Pois é exatamente Seggiano, em cima de uma bela colina, que estão tocando um projeto de valorização do centro histórico que vale a pena ser conhecido.
Tudo gira ao redor da tradição do cultivo da azeitona e da produção do azeite: não é por acaso que, do alto do local, pode-se notar a grande extensão de olivais que recobrem a parte mais baixa do morro. No centro histórico de Seggiano existe - e funcionava até a segunda metade do século passado - um local estruturado em três andares, onde as azeitonas eram depositadas, espremidas e o azeite era filtrado e engarrafado.
Tudo isto vai fazer parte de um tour turístico com o intuito de valorizar as tradições e a cidade, e inclui também o Palazzo Comunale e uma velha cisterna construída perto das muralhas. E é aqui que entra em campo a oliveira falante. O projeto, desenvolvido juntamente com a Faculdade Agrária, prevê a colocação de uma oliveira na abertura superior da cisterna, onde ficava o poço.
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Algum tempo atrás já havíamos mostrado a receita do Espaguete à Carbonara. Hoje contaremos a história, que na verdade não é uma só, mas várias hipóteses, de como foi criado o prato. A primeira liga o prato aos “carbinai“, as pessoas que produziam o carvão vegetal nos bosques, mas segundo experts falta fundamentação, porque essas pessoas ficavam meses longe de casa, o que é incompatível com a conservação dos ingredientes, como o ovo, por exemplo.
A segunda hipótese prevê que a carbonara tenha sido inventada por um cozinheiro que fazia parte dos carbonari, um grupo de revolucionários que lutou contra a invasão austríaca no norte da Itália, entre o final do séc. XVIII e a guerra pela independência italiana.
A terceira opção, muito sugestiva aliás, conta que o prato foi criado em 1945 quando os soldados americanos entraram em Roma no final da segunda guerra mundial. Eles pediriam nos restaurantes ovos, bacon e massa. Os chefs romanos, para satisfazê-los, teriam servido o guanciale (um tipo de bacon italiano feito com as bochechas do porco), ovos fritos e espaguete puro, sem temperos e sem gosto. E os soldados teriam, enfim, misturado tudo pra ficar mais saboroso, criando sem querer o avô do célebre prato.
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